Julian engravidou uma garota numa noite de bebedeira.
Quando eu descobri, ela já estava com seis meses.
Ele me pediu para ficar com o bebê e disse que tudo entre nós voltaria a ser como antes.
Balancei a cabeça, perguntando com obstinação:
— Eu ou o bebê, quem você escolhe?
Naquele dia, ele ficou em silêncio por um longo tempo, incapaz de me dar uma resposta.
Mas depois que eu desapareci, ele se arrependeu.
Casada com Julian por cinco anos, jamais imaginei que terminaríamos assim.
Na entrada do hospital, Julian amparava com ternura uma jovem bonita pelas escadas.
Eu estava ali perto, meus olhos encontraram os de Julian, que estavam cheios de uma doçura que eu não via havia muito tempo.
Ele vacilou, desviando o olhar rapidamente do meu.
A garota de barriga grande ao lado dele também olhou na minha direção, e os olhos dela se encheram de lágrimas na hora.
Depois de colocá-la em segurança no carro e sussurrar algumas recomendações, Julian enfim caminhou até mim.
Seus passos eram calmos e controlados, sem nenhum vestígio do pânico que eu esperava depois de ser pego.
Primeiro, ele tocou minha mão, que estava gelada, e a segurou com força na palma dele.
— Por que você está no hospital? Não está se sentindo bem?
Ele falou com preocupação e estendeu a mão para tocar minha testa.
Eu me afastei.
— Quem é ela?
Julian não respondeu à minha pergunta. Em vez disso, me puxou para um abraço reconfortante.
— Alguém sem importância. Vou explicar tudo quando chegarmos em casa, está bem?
As palavras gentis dele, naquele instante, enfim trouxeram lágrimas aos meus olhos.
Levantei a cabeça com teimosia, desesperada por uma resposta.
Se ele simplesmente dissesse, eu acreditaria nele.
Julian suspirou baixinho e depois enxugou as lágrimas dos meus olhos com lentidão.
— O bebê é meu.
Minhas lágrimas congelaram no rosto. Senti como se tivesse esquecido como se respira.
Mordi o lábio até sangrar, depois me soltei do abraço dele, recuando um passo de cada vez.
Foi então que um traço de raiva finalmente atravessou o rosto de Julian.
Ele me puxou de novo para perto, me olhando com olhos sofridos.
— Nora, você pode me culpar, mas não se machuque.
Eu não conseguia entender por que ele agia de forma tão amorosa depois de fazer uma coisa dessas.
Enquanto estávamos ali num confronto silencioso,
a garota saiu do carro.
— Volte já para o carro!
A voz de Julian era fria, sem qualquer vestígio de afeto.
A garota olhou para ele com timidez, mas não foi embora, e havia uma determinação nova nos olhos dela.
— Srta. Shen, Julian e eu não somos o que a senhora está pensando. Este bebê foi um acidente.
Ela terminou com um sorriso amargo.
— Se eu pudesse, gostaria de me livrar dele mais do que ninguém.
Minha visão se embaçou de lágrimas, e por isso não consegui ver com clareza a expressão de Julian.
Mas, conhecendo-o como eu conhecia, pude sentir que a frieza inicial dele já tinha se desmanchado.
— Chega! Pare de falar!
Ciúme e ressentimento jorraram de dentro de mim. Eu gritei, com a voz embargada.
A garota recuou, cambaleando, quase caindo, mas Julian a segurou rápido nos braços.
Eu encarei a cena, e um pensamento atravessou minha mente.
Avancei na direção deles.
Bem quando eu estava prestes a tocar a barriga inchada da garota, uma força poderosa me empurrou para longe.
Caí no chão, levantei a palma da mão esfolada e soltei uma risada amarga.
Julian olhou para a própria mão estendida sem acreditar, paralisado.
Naquele dia, Julian deixou a garota grávida de seis meses e me levou para casa.
Mas eu sabia que não havia futuro para nós.