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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Folhetim DiárioUm capítulo por edição, histórias sem fim
Edição nº 242Ano IFolhetins em português

Eu pedi o divórcio no dia em que ele jogou fora aquela caneca ridícula.Capítulo 2

Este capítulo tem cerca de 4.436 caracteres e é o último dos 2 capítulos de leitura gratuita deste jornal; o Capítulo 3 continua no aplicativo oficial.

Em casa, desabei no sofá, completamente exausta. Eu não estava louca nem sendo irracional. Aquela caneca velha que Daniel usava há vinte anos era o bem mais precioso dele. Era uma caneca esmaltada verde-oliva, antiquada, lascada em vários pontos, deixando ver o metal escuro sob o esmalte, com uma mancha que até apresentava ferrugem. Tentei inúmeras vezes convencê-lo a trocá-la — por uma xícara de porcelana delicada, uma caneca de cerâmica elegante ou até um simples copo de vidro. Ele sempre recusava, teimosamente. Dizia que era a única coisa de valor que possuía quando era muito pobre, uma prova de sua luta, uma lembrança de suas origens humildes e ambições. Sempre que acariciava aquela velha caneca lascada, seus olhos tinham uma ternura e nostalgia que eu nunca entendi direito. Sempre achei que era uma homenagem ao seu passado difícil. Não tive escolha a não ser tolerar. Mas, na semana passada, ele simplesmente a jogou fora. Sem aviso nenhum, a caneca que chamava de suas "origens humildes" foi parar no lixo da cozinha. Quando perguntei, ele respondeu, indiferente:

"Você não vivia reclamando que era velha e quebrada? Agora que joguei fora, por que ainda está fazendo esse escândalo?"

Meu coração afundou naquele instante. Algo estava definitivamente errado. Como ele podia simplesmente jogar fora algo que guardou por vinte anos, que chamava de "origens humildes", assim do nada? Essa mudança foi repentina demais para ser inocente. Naquela noite, enquanto ele tomava banho, revistei sua maleta escondida. O celular, que ele costumava me deixar olhar à vontade, agora tinha uma senha complexa. Minha pequena semente de desconfiança se multiplicou por mil na mesma hora. Nos dias seguintes, prestei muita atenção a tudo. Reparei que ele começou a sorrir muito para o celular, um tipo de sorriso que eu só tinha visto vinte anos atrás, quando tentava me conquistar. Ele também passou a falar mais tempo ao telefone na varanda, sempre de forma sorrateira. Naquele momento, eu tinha quase certeza: ele estava escondendo algo. Então, três dias atrás, eu o segui. Vi quando entrou numa cafeteria sofisticada. Pela vidraça, vi a mulher sentada à sua frente. Eu a conhecia. Chloe Miller. A colega de turma de Daniel, o amor platônico que ele nunca conseguiu esquecer, a paixão idealizada da juventude. Soube que ela se casou com um empresário rico logo após a formatura e se mudou para o exterior. Agora, estava de volta. E o que me gelou o sangue foi a caneca esmaltada nova em folha ao lado da mão de Chloe. Idêntica à que estava no nosso lixo. Daniel olhava para ela com olhos cheios de adoração e afeto, exatamente como olhava para aquela velha caneca lascada. Ele não estava guardando suas "origens humildes" por todos esses anos. Ele claramente guardava a lembrança de sua inacessível chama antiga.

*Ding-dong—*

A campainha interrompeu meus pensamentos. Espiei pelo olho mágico: era minha mãe, junto com um Daniel furioso. Não abri a porta.

"Evelyn, abre essa porta! Sei que você está aí! É melhor se explicar!"

Daniel esmurrava a porta com força.

"Evelyn, por favor, abra a porta. Vamos sentar e conversar direito, está bem?"

A voz da minha mãe estava embargada. Encostei-me na porta, sem dizer nada.

"Evelyn, não se faça de difícil!"

A paciência de Daniel se esgotou.

"Quem você pensa que é? Não passa do meu animal de estimação! Acha que pode voar agora que criou asas?"

Ouvindo seus insultos cruéis, só senti repulsa. Puxei o celular e mandei uma mensagem para Daniel.

"Quer conversar? Está bem. Dispense sua mãe primeiro."

Logo o barulho do lado de fora cessou. Uns dez minutos depois, Daniel ligou, a voz mal disfarçando a raiva.

"Ela já foi. Abra a porta."

Abri a porta, e ele entrou como um leão enfurecido.

"Evelyn, que diabos você está fazendo? Enlouqueceu?"

Ele me empurrou contra a parede, colocando as mãos em cada lado de mim, prendendo-me entre seu peito e a superfície fria.

"Fui bom demais para você todos esses anos e fez você esquecer quem é?"Olhei para o rosto dele, tão próximo do meu... o rosto que eu amei por vinte anos, mas que agora parecia completamente estranho e ameaçador. Sorri, uma risada amarga que ameaçou trazer lágrimas aos meus olhos.

— Daniel, você não está cansado?

Ele ficou paralisado, sem entender o que eu queria dizer.

— Você não se cansa de fingir que é amoroso com uma mulher de quem você não gosta, dia após dia?

Levantei a mão e toquei de leve sua bochecha. A expressão dele mudou na mesma hora.