No nosso terceiro aniversário de casamento, enganei o meu marido, Benedict Gabor, para que ele assinasse os papéis do divórcio.
O motivo foi que o médico disse que eu tinha câncer no estômago e não viveria mais do que três meses.
Benedict achou que eu estava fazendo birra. Irritado, mas desdenhoso, ele assinou os papéis e logo depois levou a sua preciosa Tylor Gabor para uma escapada luxuosa no exterior.
Mais tarde, quando percebeu que eu falava sério, ele usou todos os métodos possíveis — ameaças, esquemas, e até vingança explícita — para tentar me trazer de volta.
Mas tudo o que conseguiu foi uma despedida final no meu funeral, transmitida através de um vídeo que eu deixei.
"Benedict", começou a minha voz gravada, calma e firme, "se você está vendo isto, é porque eu já morri..."
Naquele dia, o orgulhoso e inabalável Benedict finalmente perdeu o juízo.
Eu soube que tudo tinha acabado no momento em que fui parar no hospital por ter trabalhado até ter uma hemorragia estomacal. Naquele exato instante, Benedict estava em casa, organizando uma queima de fogos particular para Tylor no jardim dos fundos.
Quando os repórteres enfiaram os microfones na minha cara, forcei um sorriso em meio à minha expressão pálida e exausta.
"Não façam especulações", eu disse. "Benedict e eu estamos muito bem. A moça que vocês viram com ele é apenas a prima dele."
Os jornalistas pareciam nada convencidos, com o desdém e a incredulidade praticamente escorrendo de seus rostos.
A verdade é que eu não estava mentindo totalmente. Só que Tylor não era prima de verdade dele, e sim uma órfã que a família de Benedict acolhera.
Nosso casamento sempre fora um acordo de negócios calculado. Benedict desempenhara bem seu papel até Tylor voltar, três meses atrás.
Desde então, ele grudou nela feito carrapato, esquecendo completamente que tinha uma esposa.
A imagem de "marido perfeito" que a mídia pintara para ele não passava de uma fachada.
Naquela noite, enquanto todos os funcionários da casa preparavam os fogos para Tylor, liguei para Benedict inúmeras vezes. Ele não atendeu.
Sem alternativa, pedi alta do hospital e peguei um táxi para casa.
A casa estava vibrante de celebração, com as cores intensas dos fogos pintando o céu noturno. Entrei no jardim, fria e silenciosa, completamente deslocada em meio à festança.
Sob os fogos que iluminavam o quintal, vi Benedict ajeitando o cabelo de Tylor e dando a ela um pedaço de bolo.
De repente, me senti uma estranha.
As folhas de outono cobriam o chão. Quando pisei nelas, estalaram suavemente.
Tylor me notou primeiro. Ela saltou dos braços de Benedict como um coelho assustado, sua expressão delicada pintada de inocência.
"Kendra!", ela exclamou, com a voz trêmula. "Por favor, não entenda mal! A gente só estava comemorando a recuperação da empresa!"
Hã.
Recuperação? Comemoração?
Ela estava falando sério?
A empresa de fato se recuperou, mas ela não teve participação alguma nessa recuperação, absolutamente nenhuma.
Enquanto meu olhar de desprezo percorria os dois, Benedict avançou para cima de mim, protegendo Tylor como se ela fosse um tesouro inestimável.
"Kendra, dá pra parar com essa cara de enterro o dia todo?", ele disparou, a voz afiada e cheia de irritação.
"Chega dessa encenação de inocente na frente das câmeras. Já não deu o bastante?
O que você quer? Minha compaixão? Minha pena? Pode sonhar!"
Atrás dele, Tylor se agarrava ao seu braço, os olhos marejados com lágrimas de crocodilo.
"Benedict, por favor, se acalme", ela sussurrou, tremendo. "Você está me assustando."
A cena era absurda, uma novela mexicana se desenrolando na minha própria casa. Mas eu estava exausta demais para me concentrar nesse drama.
Para surpresa deles, forcei um sorriso, diminuindo a distância entre nós. "Benny", eu disse suavemente, num tom cheio de doçura ensaiada, "não fique bravo. Eu não entendi mal. Só queria te lembrar... hoje é meu aniversário. Sei que você anda ocupado e deve ter esquecido, mas não tem problema. Não vou te culpar."
Por uma fração de segundo, ele ficou paralisado. Um lampejo de culpa atravessou seu rosto antes de ser rapidamente soterrado por sua indiferença habitual.
"Aniversário?", ele repetiu, zombando. "Você não vivia dizendo que odiava comemorar seu aniversário?"
Sim. Eu costumava dizer isso. Minha mãe morreu ao me dar à luz. Meu aniversário também era o aniversário de morte dela.
Meu pai, que a idolatrava, passava todos os anos prestando-lhe homenagens com grandes cerimônias. Durante anos, evitei celebrar meu aniversário.
Mas Benedict um dia tinha mudado isso. Nos dois primeiros anos do nosso casamento, ele celebrou comigo, me ajudando a me livrar da sombra do luto.
Ainda me lembrava de suas palavras gentis, sussurradas no meu ouvido com um sorriso caloroso.
"Kendra, de agora em diante, você nunca mais vai se sentir sozinha no seu aniversário. Você não é uma maldição. Você é meu amuleto da sorte."
Olhando para ele agora, parado na minha frente para proteger Tylor, percebi que aquelas palavras já tinham perdido o sentido havia muito tempo.
Mas já não doía mais. Ele não sabia que eu já o tinha feito assinar os papéis do divórcio, enganando-o havia uma semana.