No nosso quinto aniversário, encontrei um celular antigo no cofre pessoal de Liam Blackwood. A senha era o aniversário do primeiro amor dele. O aparelho guardava todos os momentos doces que eles viveram no passado. E o álbum de fotos atual dele? Não tinha uma única foto minha.
"Clara Reynolds, é divertido bisbilhotar a privacidade dos outros?"
Eu me virei para encarar o homem parado na porta, sem gritos, sem drama. Apenas um pedido calmo:
"Vamos nos divorciar."
Liam Blackwood formatou o telefone na minha frente, a expressão tão indiferente que era impossível decifrar.
"Está melhor agora?", ele perguntou. "Ainda quer se divorciar?"
Eu assenti, séria.
"Sim, quero."
…
"Qual é, já chega. Para de fazer cena."
Liam franziu a testa, um tom de impaciência na voz.
"Escuta aqui, pode ser? Quando o projeto terminar no fim do ano, eu arranjo tempo e levo você para ver a neve em Hokkaido, está bem?"
Ao ver meu silêncio prolongado, Liam torceu o canto dos lábios, com um ar de desdém familiar no olhar, e tocou de leve a minha testa com a ponta do dedo.
"Desta vez, sem mentiras, eu prometo. É para valer."
Eu quase ri.
"Desta vez, sem mentiras."
Então ele *sabia* o tempo todo que vinha mentindo para mim, repetidamente. Tinha prometido me levar a Hokkaido para ver a neve, adiando ano após ano. Nossas saídas de cinema de sempre? Era sempre eu esperando sozinha na porta do cinema até a sessão começar. Ele dizia que vinha me buscar, mas eu nunca vi nem a sombra do carro dele, nem quando fiquei encharcada na chuva. Liam Blackwood sempre quebrou as promessas que me fez. Por isso agora, ao pronunciar essas palavras, ele acreditava sinceramente que estava me fazendo um favor, me concedendo uma grande recompensa.
"Não, obrigada."
Respirei fundo, repetindo com firme determinação:
"Liam Blackwood, eu quero o divórcio."
Desta vez, o olhar do homem endureceu, a paciência completamente esgotada.
"Clara, você está sendo completamente irracional!"
"Quer ir para Hokkaido, quer não ir. Eu já fiz a oferta."
"Não venha chorar para mim depois, dizendo que eu não cumpri a minha palavra."
Dizendo isso, ele pegou o paletó no sofá e saiu. Nem tocou no jantar que eu tinha preparado meticulosamente do jeito que ele gostava. Permaneci em silêncio. Pela primeira vez, não tentei impedi-lo, não implorei para que ele ficasse nem mais um minuto, como fazia antes. Liam Blackwood parou na porta, olhando para trás, para mim. Eu já tinha me sentado, pegado os talheres e começado a comer em silêncio.
A porta bateu atrás dele. Como se extravasasse uma fúria reprimida. Meu coração já tinha parado de doer havia muito tempo, deixando para trás só desolação. Eu costumava achar que Liam, tão superior e inacessível, era bom demais para ser tocado pelas realidades mundanas da vida. Mas acontece que ele *cozinhava* para a garota que amava. Só para ganhar um elogio dela. Os cortes nas mãos, as bolhas das queimaduras — tudo parecia medalhas do amor dele. Ele até costumava dizer coisas infantilmente doces como:
"Cozinhar para a pessoa que você ama faz você se sentir incrivelmente feliz mesmo."
"Vou cozinhar para a Seraphina para sempre, engordar ela até ninguém mais querer."
Só depois de ler aqueles registros é que eu realmente entendi, pela primeira vez. O tamanho da piada que eu era.
No dia seguinte, encontrei minha melhor amiga, Maya, que era advogada, num café e pedi que ela preparasse os papéis do divórcio para mim.
"O que houve entre vocês dois? É sério mesmo desta vez?"
O rosto de Maya estava cheio de surpresa. Ela sabia o quanto eu amava Liam Blackwood. Todas as vezes que a gente brigava no passado, no máximo ficávamos um tempo de guerra fria.
"Estou tão cansada."
Olhei para o trânsito intenso lá fora.
"Quer saber? Ela voltou."
Com apenas esse pronome, Maya entendeu.
Seraphina Bellwether. O primeiro amor inesquecível de Liam, gravado no fundo do ser dele. Aquele nome era como uma agulha fininha, perfurando meu coração. Sem sangue, mas uma dor constante e sutil. Eu nunca tinha sequer visto essa mulher pessoalmente, e mesmo assim a existência dela já me influenciava havia cinco anos inteiros. Liam dizia que espaço pessoal era importante, mas ele e Seraphina já tinham dividido uma conta de música.Liam não gostava que sua vida fosse exposta, mas suas antigas redes sociais estavam cheias de vestígios dela. A exposição de arte para a qual ele me levou? Era da artista favorita de Seraphina. Ele reclamava que fazer compras comigo era perda de tempo, mas passou dias com ela explorando antiquários pela cidade inteira. Dois anos de namoro, três de casados, e Liam nunca realmente a tirou do coração. E eu? Eu não passava de um rebote, uma substituta durante o tempo em que ele esteve sozinho. Um consolo, um hábito, uma segunda opção.
— Certo, deixe os papéis do divórcio comigo. Não vou deixar você sair perdendo!
Maya me olhou preocupada.
— Mas, Clara, você tem mesmo certeza disso?
— Eu te avisei desde o começo, esse homem não serve para você. O coração dele nunca foi completamente esvaziado, e você já sacrificou demais por ele.
— Mas você se deixou levar, perdidamente apaixonada, e não quis ouvir conselho nenhum.
Baixei o olhar, mexendo o café na xícara.
— Algumas lições a gente só aprende do jeito difícil, mesmo que precise bater no fundo do poço e sair toda machucada, até finalmente dar meia-volta.
O céu estava carregado, e uma chuva repentina começou a cair. Owen, o marido de Maya, veio buscá-la.
— Eu não falei para você não vir?
— De jeito nenhum, amor! Eu nunca deixaria você se encharcar. Ei, Clara, vamos todos juntos.