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Sábado, 7 de novembro de 2026
Folhetim DiárioUm capítulo por edição, histórias sem fim
Edição nº 244Ano IFolhetins em português

Eles se arrependeram depois que eu me caseiCapítulo 2

Este capítulo tem cerca de 4.184 caracteres e é o último dos 2 capítulos de leitura gratuita deste jornal; o Capítulo 3 continua no aplicativo oficial.

Arnold riu alto e disse:

— Eu acabei de ligar pra Sara pedindo que ela preparasse os detalhes do casamento. Adivinha só? Ela realmente achou que eu ia casar com ela!

— Ela é muito burra, não é?

Peter comentou:

— Ela não faz a menor ideia. A farsa só vai funcionar se a gente a pegar desprevenida. Só vai ter graça se a Sara pagar mico. É isso que a Esther vai achar divertido.

Eu cobri a boca, sem acreditar.

Até o meu meio-irmão, eu não sabia desde quando, tinha escolhido ficar do lado da Esther.

Tyler logo emendou:

— Que tal a gente trocar o confete que iam jogar na cabeça dela por balões de água? Vai deixar ela encharcada, parecendo um rato molhado.

— Só garantam que a Esther não descubra antes. Senão, perde a graça.

Todos eles pareciam animadíssimos com o plano de me fazer de palhaça.

A expressão no rosto deles mostrava que estavam certos do sucesso.

Eu fiquei paralisada na porta, sem conseguir me mexer.

O casamento que eu tinha esperado com tanta ansiedade não passava de uma palhaçada para divertir a Esther.

As três pessoas que antes rodavam a cidade inteira só para me comprar o meu bolo favorito e me ver feliz... Para onde elas tinham ido?

Quando foi que tinham mudado tanto?

Nas minhas lembranças, Peter, Arnold e Tyler eram os que mais se importavam comigo.

Mas, desde que a Esther entrou nesta família, tudo mudou.

A depressão dela era grave.

Tão grave que só de me ver ela já ficava pra baixo, e cada vez que tinha uma crise, implorava para que eles ficassem com ela.

No começo, eles menosprezavam, achando que era tudo fingimento.

Mas, aos poucos, a atenção deles foi se desviando de mim e indo para a Esther.

Arnold era o homem que eu amei por sete anos; Peter e Tyler sempre estiveram ao meu lado.

Agora, estavam dispostos a transformar o meu casamento em piada só para arrancar um sorriso da Esther.

Fazer a Esther feliz tinha virado o maior objetivo deles mesmo que para isso fosse preciso trocar a minha humilhação.

Eles pisavam em ovos com a Esther, mas não mostravam preocupação nenhuma em me transformar em motivo de chacota.

Esse pensamento me causou uma dor paralisante no coração.

Hoje, eu de fato ia me casar.

Só que não com o Arnold.

Ajeitei o cabelo, tentando parecer apresentável, e levantei o microfone para anunciar a todos:

— O que acabou de acontecer foi só um pequeno interlúdio. Por favor, tenham só mais um pouquinho de paciência.

Então, olhei para o meu vestido de noiva, pesado e úmido, e acrescentei:

— Vou trocar de vestido, senão não vai dar tempo quando o meu marido chegar.

Ainda bem que eu tinha previsto como as coisas iam se desenrolar hoje e não tinha usado o meu vestido favorito.

Para a minha surpresa, Arnold me olhou como se eu fosse uma palhaça.

— Sara, você enlouqueceu só porque eu não vou casar com você? — ele perguntou de repente.

— Eu já falei: esse casamento foi uma farsa. Não tem noivo nenhum!

Peter acrescentou com uma risada de deboche:

— Sara, mesmo que esteja passando vergonha, não precisa mentir!

— E, a propósito, eu sei muito bem se tem alguém interessado em você ou não. Como seu irmão, eu tenho certeza que saberia.

As palavras dele arrancaram risadas de todo mundo.

Durante todos aqueles anos, era fato mais que conhecido que eu vivia correndo atrás do Arnold.

Tyler fingiu pensar um pouco e, então, disparou:

— Não vai me dizer que você está tentando provocar ciúmes no Arnold de propósito?

— Um truque tão baixo. Sara, você não acha isso ridículo?

Esther interferiu baixinho e se virou para me convencer:

— Sara, essa palhaçada toda foi só coisa deles para me animar. Fico muito emocionada que você esteja disposta a entrar na brincadeira e me entreter.

— Eu sei que você gosta do Arnold faz tempo, mas o amor é coisa de duas pessoas...

— Uma moça precisa se dar ao respeito. O papai e a mamãe estão lá embaixo, e tem tantos convidados. Não prolongue mais isso.

Ela me encarou, a voz era suave, mas as palavras tinham o tom implícito de quem me acusava de pagar mico.

Eu virei o rosto e vi meu pai na plateia, de cara fechada, explicando a situação sem parar para os convidados.

Respirei fundo e reforcei:

— Este é mesmo o meu casamento, e o meu noivo está a caminho.

Dizendo isso, peguei o celular e disquei para o contato que estava no topo da lista.